Minha jornada até o CCNA - Roteamento Estático

Fala champions, tudo certo?    🤙


No artigo de hoje vamos falar sobre ROTEAMENTO ESTÁTICO e suas peculiaridades, senta aí, pega seu cafezinho e vamo lá!


– O que é Roteamento?! 

Basicamente o roteamento é uma técnica que define através de regras, como uma informação originada em uma determinada rede vai alcançar uma outra rede, seja uma rede a saltos (hops) de distância ou redes diretamente conectadas.

Roteamento é um tema fundamental para todo profissional de redes (não adianta correr!), pois sem o roteamento não há comunicação entre redes e consequentemente não existiria a Internet.

Pois bem, visto que você captou o que é roteamento, deverá entender que para existir roteamento é necessário um cara chamado ROTEADOR, esse camarada é o responsável por interligar redes diferentes e sem um roteador não é possível alcançar outra rede.

Por padrão, o roteador conhece todas as redes diretamente conectadas a ele, até porque não depende de nada para conhecer o caminho, mas para aprender como chegar até redes remotas, ou seja, as redes que não estão diretamente conectadas, o roteador pode aprender as rotas de duas formas:

1. Através dos roteadores vizinhos (neighboors), usando o roteamento dinâmico (calma que ainda vai ter post sobre o tema, take it easy, Champion!).

2. Por meio da configuração manual do administrador da rede, usando roteamento estático (que é o nosso foco nesse post).

Através de uma dessas formas o roteador vai começar a preencher outro componente importante para o roteamento, a sua TABELA DE ROTEAMENTO que age como um mapa com os caminhos para as redes remotas.


Por que ROTEAMENTO ESTÁTICO?

Como foi dito, no processo de roteamento estático toda a configuração é feita manualmente pelo administrador da rede, com as regras pelas quais o roteador vai poder alcançar uma rede que não está diretamente conectada a ele (rede remota).


Prós

  • Consome menos recursos de processamento do roteador;
  • Maior controle da rede;
  • Não consome largura de banda da rede;
  • O caminho que a rota estática usa para enviar dados é conhecido.


Contras

  • O administrador precisa ter um profundo conhecimento de toda a rede;
  • A cada nova rede adicionada, o administrador manualmente tem que inserir uma rota para a nova rede em cada roteador;
  • Devido a esses fatores, não é recomendada a utilização de roteamento estático em redes em crescimento (escalável), pois a sua manutenção torna-se problemática e inviável.


– Organizando as informações

Champs, como foi mencionado anteriormente, o roteamento estático depende inteiramente do administrador da rede, ele precisa ter um amplo conhecimento de toda a topologia das redes pertinentes para poder fazer o roteamento acontecer. By the way, antes de “meter a mão na massa” com a configuração do roteamento estático propriamente dito, vamos nos organizar seguindo como exemplo o cenário a seguir:

Como podemos ver no cenário, são duas filiais interligadas através de um link WAN (não vamos entrar em maiores detalhes relacionados ao link WAN, porque o nosso foco é o roteamento estático) e em cada filial existem duas LANs.

Conforme mencionamos anteriormente nesse post, os roteadores automaticamente aprendem a rota para chegar até as redes diretamente conectadas, sendo assim o R1 e o R2 vão ter as seguintes redes aprendidas na sua tabela de roteamento:

É importante ter essa organização e esse exercício de mapeamento é um grande aliado para entender melhor o processo de roteamento estático.

Sabendo que os roteadores R1 e R2 conhecem as redes mapeadas na tabela acima (redes diretamente conectadas), fica fácil entender quais redes não estão adicionadas a tabela de roteamento dos roteadores e, sendo assim os roteadores não podem alcança-las, pois não sabem como chegar até elas e nós como administradores dessa inter-rede, vamos mostrar a eles o caminho:

Agora que temos organizadas todas as informações pertinentes ao roteamento estático e lembrando que é uma boa prática esse mapeamento e não um requisito para configurar, mas feito isso fica mais fácil configurar as rotas estáticas uma vez que basta saber a sintaxe, o essencial é entender quais redes precisar ser “ensinadas” aos roteadores.


– Configuração de Rota Estática (LAB)

A sintaxe do comando para configurar rotas estaticamente é a seguinte:

Vamos dissecar cada informação da sintaxe abaixo:

Rede > “ensinar” ao roteador qual rede remota ele deve instalar na sua tabela de roteamento;

Máscara > informar a máscara de rede da rede remota que estou instalando na tabela de roteamento do roteador;

IP do próximo salto > informar ao roteador qual é o IP do próximo salto conectado diretamente ao roteador e que teoricamente tem acesso à rede remota que queremos alcançar;

Interface de saída > nesse parâmetro informa-se a interface de saída pelo qual a informação vai sair para alcançar a rede remota, nesse modo a rota será exibida como diretamente conectada (recomenda-se esse modo apenas em conexões ponto a ponto);

Distância administrativa > esse parâmetro é opcional, mas aqui é possível alterar a distância administrativa padrão do roteamento estático (por padrão é 1).


Mas o que é Distância Administrativa?

Para entender sobre roteamento seja ele estático ou dinâmico, é preciso conhecer também o AD (não estou me referindo ao active directory).

O AD (Administrative Distance) são valores usados para classificar a confiabilidade das informações de roteamento recebidas por um roteador. Esse valor pode variar de 0 a 255, quanto menor o valor, mais confiável é a informação.

Veja a tabela com os valores contidos abaixo:

Agora que vimos o conceito de roteamento estático, tabela de roteamento, distância administrativa, etc. Vamos ver a configuração propriamente dita nos roteadores.


Configuração do R1

 Router#conf t
 Router(config)#hostname R1
 R1(config)#
 R1(config)#int f0/0
 !! acessando a interface conectada à LAN 1
 R1(config-if)#ip address 192.168.1.254 255.255.255.0
 !! setando ip de gateway para a LAN 1
 R1(config-if)#no shut
 R1(config-if)#int f0/1
 !! acessando a interface conectada à LAN 2
 R1(config-if)#ip address 192.168.2.254 255.255.255.0
 !! setando ip de gateway para a LAN 2
 R1(config-if)#no shut
 R1(config-if)#int s0/0/0
 !! acessando a interface conectada ao Link WAN 
 R1(config-if)#ip address 200.200.2.1 255.255.255.252
 !! setando ip de WAN do R1
 R1(config-if)#clock rate 64000
 R1(config-if)#no shut
 R1(config-if)#end
 R1#sh ip route
 C    192.168.1.0/24 is directly connected, FastEthernet0/0
 C    192.168.2.0/24 is directly connected, FastEthernet0/1
      200.200.2.0/30 is subnetted, 1 subnets
 C       200.200.2.0 is directly connected, Serial0/0/0 

O comando “show ip route” é o comando utilizado para visualizar a tabela de roteamento do roteador, como podemos ver acima, o roteador R1 conhece apenas as redes diretamente conectadas (identificadas com o codec C) e conforme mapeamos na segunda tabela, precisamos ensinar ao R1 as redes 192.168.5.0 (/24) e 192.168.6.0 (/24):

 R1(config)#ip route 192.168.5.0 255.255.255.0 200.20.2.2
 !! ip route [rede remota LAN 5] [máscara] [ip do próx. salto]
 R1(config)#ip route 192.168.6.0 255.255.255.0 200.20.2.2
 !! ip route [rede remota LAN 6] [máscara] [ip do próx. salto] 
 R1(config)#end
 R1#
 R1#show ip route
      200.20.2.0/30 is subnetted, 1 subnets
 C       200.20.2.0 is directly connected, Serial0/0/0
 C    192.168.1.0/24 is directly connected, FastEthernet0/0
 C    192.168.2.0/24 is directly connected, FastEthernet0/1
 S    192.168.5.0/24 [1/0] via 200.20.2.2
 S    192.168.6.0/24 [1/0] via 200.20.2.2 

Pronto, champions! Agora além de conhecer as redes diretamente conectadas na tabela de roteamento, ensinamos ao roteador como chegar até as redes 192.168.5.0 (/24) e 192.168.6.0 (/24). As rotas estáticas são identificadas com o codec S (static).

Agora no contexto do R2, conforme também podemos consultar na segunda tabela, precisamos ensiná-lo a como chegar até as redes 192.168.1.0 (/24) e 192.168.2.0 (/24):


Configuração do R2

 Router#conf t
 Router(config)#hostname R2
 R2(config)#
 R2(config)#int f0/0
 !! acessando a interface conectada à LAN 5
 R2(config-if)#ip address 192.168.5.254 255.255.255.0
 !! setando ip de gateway para a LAN 5
 R2(config-if)#no shut
 R2(config-if)#int f0/1
 !! acessando a interface conectada à LAN 6
 R2(config-if)#ip address 192.168.6.254 255.255.255.0
 !! setando ip de gateway para a LAN 6
 R2(config-if)#no shut
 R2(config-if)#int s0/0/0
 !! acessando a interface conectada ao Link WAN 
 R2(config-if)#ip address 200.200.2.2 255.255.255.252
 !! setando ip de WAN do R2
 R2(config-if)#no shut
 R2(config-if)#end

Se dermos um “show ip route” vamos notar que apesar de o R1 saber como chegar até as LANs do R2, o R2 não sabe ainda como chegar até as LANs do R1, porque não ensinamos a ele como fazer isso e está aí um problema de usar roteamento estático, o administrador tem que acessar cada roteador pertinente e aplicar a regra de roteamento. 

 R2#show ip route
      200.20.2.0/30 is subnetted, 1 subnets
 C       200.20.2.0 is directly connected, Serial0/0/0
 C    192.168.5.0/24 is directly connected, FastEthernet0/0
 C    192.168.6.0/24 is directly connected, FastEthernet0/1
 !! o R2 não sabe ainda como chegar até as LANs do R1
 
  
 R2(config)#ip route 192.168.1.0 255.255.255.0 200.20.2.1
 !! ip route [rede remota LAN 1] [máscara] [ip do próx. salto]
 R2(config)#ip route 192.168.2.0 255.255.255.0 200.20.2.1
 !! ip route [rede remota LAN 2] [máscara] [ip do próx. salto]  

Show de bola! Agora com o “show ip route” toda as rotas estarão corretamente “aprendidas” pelo R2.

 R2#show ip route
 C    192.168.5.0/24 is directly connected, FastEthernet0/0
 C    192.168.6.0/24 is directly connected, FastEthernet0/1
      200.20.2.0/30 is subnetted, 1 subnets
 C       200.20.2.0 is directly connected, Serial0/0/0
 S    192.168.1.0/24 [1/0] via 200.20.2.1
 S    192.168.2.0/24 [1/0] via 200.20.2.1 

Com as tabelas de roteamento de ambos roteadores populadas com as redes remotas descritas no nosso cenário, a comunicação entre as redes será bem sucedida. Conforme podemos ver abaixo gerando um tráfego PING com origem no host 192.168.1.1 para o host destino com IP 192.168.5.1 (na outra filial):

Ter um bom conceito desse tópico é essencial para quem almeja grandes voos no mercado de redes, pois roteamento estático é um conhecimento fundamental para poder decolar nos demais protocolos de roteamento dinâmico (e mais utilizados hoje em dia).

Sempre consulte boas documentações, livros e RFCs, abaixo deixo um artigo da CISCO sobre o assunto roteamento estático utilizando interface saída:
Cisco Static Routing

Abraço!

Max

#(config)end

🤟